09

abril

Bílis

Por Ferdinando Piva em 9/04/2017 às 4:56 pm

– Quero duas escamas.

– Dá a grana que vou buscar.

– Nem fodendo; nunca é assim.

-Quer ou não, porra?

Olhou-me como se me achasse ridículo. Ela sabia que era a única opção.

-Feito. Se sumir com os 100, como a acho?

Pergunta estúpida. Ela era puta naquela zona. Não iria sumir, tem um contrato rígido e eu, como macho com cartão, mandava.

– Tó.

– Já volto.

Pedi uma dose de Campari e uma Brahma por preços absurdos, preços de zona. Sentado, ainda bêbado, pedi pra tia das putas botar um Raul no Jukebox: já não aturava  o berro do sertanejo feminista. Ninguém gostou, todos olharam-me torto: retornei o olhar aos dois outros machos do recinto – quando chapado, dou uma de Dirty Harry – e os dois nada fizeram. Uma morena-jambo senta-se ao meu lado justamente quando a outra puta entregara-me o pó. Acompanhou-me ao banheiro e, antes de retaliar o pó, a tia da zona abre a porta e a puxa, dizendo não ser a madame uma “delas”: a mim, não houve repreensões. Expliquei que só iríamos cheirar e tal, paguei a conta e saí com a doida.

– Vamos pro posto, lindo?

– Vamos.

No posto, enchi o cu de cerveja  “gourmet” e, por consequência, o da que me acompanhava. Não metia há meses e aquela jambo era fácil e indolor: como os dentes de uma “suposta puta” podiam ser tão brancos? Nos beijamos e a convidei pra ir até minha casa… Eu possuía pó, cerveja e, agora, uma buceta: não é o conjunto que se compra ao escolher idolatrar roqueiros mortos e escritores malditinhos na adolescência? Aos 25, você ainda glamouriza esses imbecis  e, apesar de ter a noção que o glamour  é aniquilado no dia seguinte, não consegue se desmembrar dessa carcaça obesa  e cai de cabeça em cocaína de merda E  vagabundas com jeito de aidéticas que sempre fode sem camisinha. A presa em questão tinha cicatrizes de automutilação nas coxas, tatuagens imbecis e três filhos. Disse-me que não era prostituta, que não sabia o que fazia num puteiro e que era formada em enfermagem. A buceta era incrivelmente cheirosa e repetiu-me cinco vezes:

– Por que não corta os pelos da virilha e do saco? Estou engasgando com pelos…

– Porque não tinha a esperança de comer alguém.

– Quer que eu corte?

– Não… (apesar de chapado, jamais deixaria uma vadia que mal conheço chegar com uma tesoura perto da minha rola).

Posicionei-me deitado. Havia cheirado e bebido o dia todo. Ela que fosse por cima… Além da tendência natural, acrescente-se o pó e o álcool: aguentei 50 minutos e aguentaria mais. A desgraça gozou 6 ou 7 vezes; eu tapava sua boca violentamente, mas não adiantava: o vizinho “bicha cultural”, a coroa comestível de frente com seus filhos… Ouviram. A primata berrava feito uma retardada de hospício (talvez, devesse sê-la, vai saber…) e meu ego inflacionava-se: eu estava longe de gozar e lá meu pau, duraço.  A porra da mina bem que tentou, sentou com tudo, bombeou, falou merda no ouvido… Nada. Duro e insensível,  minha virilha melada, mais uma vez tapando sua boca com violência, roçando minhas digitais em seus dentes… Comecei a atentar-me, já que o efeito do pó acabara, em seu corpo, em seu rosto. Sua pele lembrava-me cor de Dreher, seus seios eram batalhões de selvagens , os dentes, mesmo sendo fumante, cheiradora e puta (a encontrei num puteiro, o qual frequento pra pegar pó), eram alvo-hollywoodianos e nariz de  ponta-de-lança neolítica  (pedante, não? Bem, quando cheiro  viro um merda dum intelectualoide de boteco e escrevo merdas como esta) ; com o detalhe de uma porra duma pinta na narina esquerda que dá vontade de arrancar com o dente…  Algumas tatuagens baratas e bregas – rosas e fadinhas- só que, puta que pariu: a buceta fechadinha e tão limpa que até senti  falta do cheiro orgânico típico de mijo com carne esponjosa  + suor e demais fluidos. Estávamos cheirando e bebendo há 6 horas e, vai lá saber como, sem banho, a desgraça mantinha-se cheirosa.

– Só eu vou te comer? – Deitou-se, com as pernas abertas.

Não metia há tempos. Estava cheirado. A fiz gozar 7 vezes e ainda tenho que “atuar”? Bem, que seja. Fui com tudo. A comendo, ouvia minha barriga em atrito com o corpo da mocinha. Foi melhor do que imaginei: tive que segurar pra não gozar dentro (porra, imagine se engravido uma cocainomana, já com 3 filhos e que conheci num puteiro?). Esperei-a gozar (sou um cavalheiro) e logo tirei, pedindo pra gozar em sua boca. Alertei-a do fato de eu estar há mais de horas sem gozar e que sairia muito: ela foi, pagando um boquete enquanto punhetava. Gozei litros e ela, imediatamente, foi ao banheiro cuspir. Não a culpo: cheirei e bebi a noite toda, minha porra devia tá amarga (uma ex me relatava a experiência  gustativa).

Aí, a inevitável racionalização pós-orgasmo: tudo ruiu em minha consciência, cada pedaço de amianto do meu Ser desabou: os gastos, as DSTs, a burrice da mina, um possível golpe, a possível AIDS, gravidez da neandertal,  o fato de só conseguir doentes mentais pra foder, o motoqueiro que ameacei de degolar com perna de cadeira… Silêncio, ansiedade mastigando o espírito, medição cardíaca a cada 20 segundos, olhar fixo em qualquer objeto, irritação pelo 5º “você tá bem?“ ;  a  garota, a mesma a qual eu estava chupando e cheirando, com sofreguidão, cada milímetro do corpo torna-se um  empecilho: não a olho nos olhos, nada ouço, escancaro o desinteresse e o tédio, emudeço-me… sua formação bibliográfica vem-lhe à mente e nota  que, nada daquilo, serve de merda alguma, anamnese de sua criação intelectualizada com ótimos pais, nota que em seu tempo livre só cheira e bebe, nada leu nos últimos anos, busca por exemplos junkies na música e literatura para se autoafirmar e glamourizar uma situação que não tem glamour desde 2013. Estou com  problemas no cu e não irei ao Dr. Tenho necessidade de mostrar-me intelectual (sei que sou um asno) diante de professorezinhos de bosta.  Zombo de Tudo e dou um sorriso visceral de dançarina do Faustão pra caralhada toda. Sou o pigarro de Prometeu. Sou ruína.





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